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Utilização da Tecnologia para o Desenvolvimento de Professores Globais:
Um Modelo Inovador

Harriett S. Stubbs

Translation
All Tasks Traduções

Revision
Mariana Reis
Instituto Sangari

Technical Revision
Patricia Maria Schubert Peres
Centro de Biologia Marinha – USP

Arlita McNamee
Coordenadora de Projetos Sociais
Instituto Sangari

www.institutosangari.org.br

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RESUMO

Este artigo descreve o desenvolvimento de um seminário de estudos e um programa de viagem que congregam professores do Brasil e dos Estados Unidos e especialistas, enfocando a educação, o meio ambiente e a cultura do Brasil. Os estudantes nos dias de hoje vivem em um mundo que sofre mudanças rápidas e no qual uma nova sociedade global está emergindo. É essencial que os educadores tornem-se membros participativos no desenvolvimento dessa rede global, maximizando os conhecimentos para uma melhor comunicação com os estudantes.

A utilização da tecnologia vem se tornando recentemente uma ferramenta importante no sentido de conectar professores participantes, administradores e especialistas tanto no Brasil como nos EUA. A base está agora preparada para a expansão futura dos recursos tecnológicos para os professores e estudantes em cada país. As possibilidades de pesquisa são ilimitadas e podem ser aplicadas em programas similares em outros países. Este projeto Brasil-EUA é patrocinado pela North Carolina State University em cooperação com o Instituto Sangari, São Paulo, Brasil.

Introdução

O mundo no qual vivem os estudantes atuais passa por rápidas mudanças, ficando cada vez menor em termos de escopo à medida que emerge uma nova sociedade global. Como educadores, é essencial que nos tornemos membros participantes ativos nessa rede global em desenvolvimento, maximizando nossos próprios conhecimentos de forma a sermos capazes de nos comunicarmos melhor com os estudantes. Devemos ser membros colaborativos da comunidade mundial, cooperando com outros professores para educar os líderes para hoje, amanhã e para o futuro.

Mudanças impressionantes na tecnologia, bem como novos programas de software, permitem que os educadores utilizem e incorporem novas pessoas, novos lugares e novas idéias no currículo. Este artigo cria um modelo para o desenvolvimento de uma experiência internacional por meio da utilização da tecnologia. Os professores poderão se comunicar por meio de telefonia Internet, uma ferramenta computadorizada que permite que as pessoas conversem em uma teleconferência (conference call) gratuita. Como resultado da nova tecnologia e com a ajuda de um intérprete, professores de São Paulo, Rio de Janeiro, Alasca e Texas podem conversar sobre um tópico específico, comparar o tipo de clima que estão experimentando e passar um tópico que seus estudantes gostariam de discutir em uma correspondência eletrônica (E-letter) mensal. Até dez pessoas podem participar de uma teleconferência. Os estudantes poderão assistir clipes de vídeo, observar os desenhos de outros estudantes e ouvir músicas em conjunto caso um microfone esteja disponível na sala de aula. Eles poderão propor diferentes estratégias para resolução de problemas. Isso tudo é inacreditavelmente gratuito. Esta é a “educação viva” e tem infinitas aplicações e implicações para todos os educadores e seus estudantes.

Nunca em meus sonhos mais remotos poderia me imaginar sentada em cadeiras de plástico no convés superior de um barco a motor no Rio Negro na Amazônia (veja a Figura 1). De repente, no meio desse rio que se estende de horizonte a horizonte, sem nenhum outro barco à vista, um telefone toca. Ele pertence a uma das educadoras brasileiras que viajam conosco. Ela informa a um familiar em São Paulo sobre uma dança que acabamos de ver e como nos juntamos aos índios nativos em seu ritual. Mais à frente no rio, outro telefone toca. O educador brasileiro informa ao interlocutor da chamada que acabamos de sair de uma comunidade ribeirinha, na qual as crianças sobem em um barco e são levadas à escola. Os professores a bordo desse pequeno barco podem se comunicar com suas famílias graças à tecnologia impensável no mundo do passado.

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Figura 1 . Barco em rio da Amazônia

Mudanças na tecnologia

Tanto a utilização como o acesso à tecnologia vêm mudando de forma significativa nos últimos quatro anos no Brasil e para os americanos que participam de nossos programas. Em 2004, os participantes compartilharam um computador no lobby de um hotel ou se revezaram na utilização de uma sala com cerca de seis computadores. Nenhum deles trouxe um computador laptop consigo. No verão de 2007, computadores estavam disponíveis para cada pessoa. Além disso, conexões sem fio para os laptops foram disponibilizadas em nosso hotel em São Paulo. Isto permitiu a cada participante o acesso a e-mail e telefonemas gratuitos com os contatos em casa, aliviando o compartilhamento de computadores alugados (o que representava um custo significativo para o programa). Em 2007, vários participantes levaram seus laptops ao Pantanal. Apesar de o acesso web ser difícil e nem sempre estar disponível, houve a possibilidade de continuar com os diários, a coleta de fotos e o desenvolvimento de atividades. Na distante pousada, havia acesso sem fio na área do escritório; isso foi uma grande surpresa! A segurança dos laptops em terrenos acidentados pode agora ser mais bem mantida com o nosso transporte em ônibus maior; dessa forma, os participantes serão solicitados a trazerem seus laptops para as sessões em 2008.

A futura interconexão de rede com participantes brasileiros torna-se cada vez mais fácil com o passar dos anos. Cada estado no Brasil aborda sua tecnologia de forma diferente e, da mesma forma que nos EUA, essa abordagem passo a passo resulta em diferentes disponibilidades tecnológicas para cada sistema educacional. É difícil fazer afirmações abrangentes, pois a variação é grande. O Brasil é um país com tamanho quase igual ao dos EUA e existem muitos cenários que são similares aos nossos. Em São Paulo, por exemplo, centros de teleconferência se espalham por toda a cidade. Os programas de treinamento de professores estão disseminados nesses centros e os professores devem se dirigir a eles para participarem. Professores e administradores nas escolas públicas têm acesso a computadores, porém há poucos laboratórios de informática para os estudantes. Muitas, mas nem todas as escolas particulares contam com computadores e conexões à Internet. O Instituto Sangari informou que em Brasília, menos de 10% das classes de aula nas escolas públicas têm quadros brancos e somente cerca de 25% das escolas contam com conexões à Internet. No Brasil, o software de sistemas de informações geográficas (Geographic Information Systems - GIS) é mais difícil de aplicar do que nos EUA (Gioppo, comunicação pessoal, 2007), onde o software GIS é gratuito para educadores. A Gioppo foi um dos participantes em muitos dos seminários iniciais sobre o GIS em Raleigh, NC (Stubbs, Devine, & Hagevik, 2002).

Visualizamos o avanço da tecnologia com professores e estudantes do Brasil como uma oportunidade para: solidificar nossos próprios conhecimentos, desenvolver de forma dirigida os recursos de tecnologia de nossos professores em suas viagens a um outro país, compartilhar nossos conhecimentos e programas com outras pessoas, aprender sobre outros programas e planejar futuros empreendimentos com professores e estudantes brasileiros e americanos. O desenvolvimento de redes entre professores e estudantes terá um efeito profundo na globalização dos cidadãos atuais e futuros. Esta atividade é lenta em termos de planejamento e projeto iniciais. Entretanto, após o estabelecimento de uma linha de base, prevemos uma onda de avanço, e estamos preparando nossos professores para ela.

Por que planejar um experimento de desenvolvimento profissional internacional para Educadores?

Os professores com experiência em primeira mão por meio de “aventuras” internacionais podem falar de forma mais pessoal e apaixonada aos estudantes sobre suas descobertas, pois eles compartilham fotos, amenidades e vídeos sobre as populações indígenas, tradições culturais, ecossistemas nativos e escolas locais. Esses professores também apresentam maior probabilidade de compartilharem conhecimentos com seus pares e tornarem-se líderes na disseminação de informações científicas e perspectivas globais a públicos variados. Em The Middle Mind, Why Americans Don't Think for Themselves, Curtis White (2004) afirma que

a imaginação não se trata apenas de criação; ela também tem a ver com o que vemos e experimentamos. Não seremos capazes de criar de uma forma renovada e vívida se olharmos o nosso mundo sob uma perspectiva de estagnação ou acomodação (mesmo que ela seja familiar e confortável). Dessa forma, antes de começar o trabalho produtivo da imaginação, devemos sair do contexto familiar (p. 2).

A exploração de países e culturas diferentes força os professores a estenderem seus conhecimentos, sua experiência e compreensão. Os professores que trazem resultados reais de suas próprias experiências práticas e descobertas para a sala de aula ficam mais confiantes e bem embasados. Eles criarão atividades em sala de aula que satisfaçam seus interesses e melhorem suas habilidades analíticas, bem como estimulem os estudantes a explorarem novas linhas de questionamento. Estudos têm demonstrado que a aprendizagem experimental em novos ambientes pode estimular os professores a colaborarem em atividades de desenvolvimento profissional que expandem exponencialmente conhecimentos e habilidades (Howe & Stubbs, 1998). Temos constatado que os professores respondem de forma mais eficaz a modelos de desenvolvimento educacional e profissional que os inspirem e motivem. Ao planejarem suas próprias atividades educacionais e currículos com base no seu entendimento individual dos novos materiais, eles aprendem mais. Eles ensinam essas atividades e ficam mais propensos a compartilharem com outras pessoas (Howe & Stubbs, 2003). Esses educadores querem aprender sobre novos desenvolvimentos diretamente com especialistas, pesquisadores e cientistas em atividade.

Por que um outro país?

"Temos de ensinar nossas crianças sobre o que é viver e trabalhar em uma sociedade global. Quando eles forem para o mundo real, estarão trabalhando não somente com pessoas de outros países, mas com empresas de outros países, seja em atividades de marketing, engenharia ou fabricação de móveis.” — John Black, Diretor do Ano da Carolina do Norte.

Antes de mais nada, você precisa se convencer sobre a necessidade de globalizar seu trabalho. Escolha e trabalhe com o país mais importante para você e seus participantes. Tínhamos conexões no país com o qual estávamos colaborando. Sem o suporte e a infra-estrutura do outro país, nosso projeto não seria o que é. Desenvolvemos nosso enfoque e uma base lógica sobre o motivo da importância disso para os participantes educadores.

Existem muitas particularidades locais nos hemisférios ocidental e oriental que poderão oferecer oportunidades educacionais interessantes. O sistema educacional e o meio ambiente do Brasil eram de primordial interesse para nós (veja a Figura 2). O Brasil foi selecionado para a nossa aventura em razão de sua imensa diversidade de elementos geográficos, comerciais, culturais e ambientais, bem como suas interconexões com os Estados Unidos. O Brasil se encontra entre os dez maiores países no mundo em termos de ampla diversidade cultural, música vibrante, rica produção teatral, arte arrojada, tecidos, culinária exótica e diversas tradições em termos de religião, espiritualidade e atividades cerimoniais.

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Figura 2. Margem de rio brasileiro

Ao aprenderem em primeira mão com professores, cientistas e membros de comunidades no exterior, os educadores de ciências de ensino fundamental e médio dos EUA entenderam como as atividades humanas afetam os sistemas biológicos e físicos de nosso planeta (veja a Figura 3). Simultaneamente, os professores estrangeiros aprenderam sobre educação nos EUA. O compartilhamento direto de experiências dos professores aumenta a conscientização sobre diversidade da flora e fauna locais, história natural, diferenças culturais e como os estudantes aprendem em outros países. Quando estimulados por professores inspirados, os estudantes estarão mais propensos a considerar as conexões internacionais à medida que se encaminham para a universidade.

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Figura 3 . Educadores participantes no Brasil

É importante enfocar o país específico a ser visitado. Aprenda o máximo que puder sobre a população, a cultura e as informações de pesquisa sobre o país e tudo o que pretende se especializar, e planeje suas visitas!

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Meridian: A Middle School Computer Technologies Journal
a service of NC State University, Raleigh, NC
Volume 12, Issue 1, 2009
ISSN 1097-9778
URL: http://www.ncsu.edu/meridian/winter2009/
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